O crescimento humano não é linear

O crescimento humano não é linear

O crescimento humano não é linear

O corpo humano tem um relógio interno de 24 horas

Nosso corpo funciona como um relógio interno que se repete a cada 24 horas — é o chamado **ritmo circadiano**. Esse relógio controla várias coisas do nosso corpo, como a temperatura, a liberação de hormônios e até o crescimento das células, e costuma se ajustar de acordo com o dia e a noite.

Estudos com ratos mostraram que as pernas desses animais crescem menos depois da meia-noite e mais entre 6h e 9h da manhã — o que combina com o horário em que as células nas pontas dos ossos (onde acontece o crescimento) se dividem mais.

Isso também vale para os humanos! Já no século 18, sabia-se que os recrutas do exército pareciam mais altos quando medidos de manhã. De fato, uma pessoa pode medir pelo menos 8 milímetros mais alta de manhã do que à tarde. Isso acontece porque, durante o dia, ficamos de pé, sentados e nos movemos, e isso vai "comprimindo" um pouquinho a coluna e deixando os ligamentos mais relaxados — não tem nada a ver com crescimento de verdade. O peso também costuma ser mais baixo de manhã.

Pequenos "surtos" de crescimento

Além desse ritmo diário, o crescimento acontece através de pequenos "surtos" — momentos curtos em que o corpo cresce um pouquinho (de 2 a 10 milímetros), seguidos de pausas. Isso parece acontecer de forma meio irregular, mais ou menos uma vez a cada 4 a 5 dias (podendo variar de 1 a 10 dias). Isso já foi observado em seres humanos, ratos e coelhos.

Curiosamente, a forma como medimos o crescimento pode mudar o que encontramos: se medirmos uma vez por semana, parece que os "surtos" acontecem a cada 30-55 dias; mas se medirmos todos os dias, aparecem padrões diferentes, com picos a cada 5-10 dias aproximadamente. Isso mostra como a frequência das medidas pode confundir os resultados. Por isso, para estudar o crescimento de curto prazo, é melhor fazer medições diárias em casa, combinadas com métodos estatísticos mais adequados.

Doenças e estações do ano também afetam o crescimento

Quando uma criança fica doente por um período, seu crescimento pode ser temporariamente prejudicado. Depois que ela melhora, o corpo tende a "recuperar o atraso" através de uma sequência de pequenos surtos de crescimento, meio como ondas.

Como esse processo de crescimento de curto prazo é bastante sensível à saúde e ao ambiente, ele é irregular — e é por isso que os métodos tradicionais de medir crescimento, geralmente, não conseguem prever bem como uma criança vai crescer ao longo do ano.

Em alguns lugares, o clima também influencia o crescimento. Em crianças bem alimentadas e saudáveis, o crescimento tende a ser maior na primavera, provavelmente porque há mais luz solar, o que ajuda o corpo a produzir vitamina D (importante para os ossos). Porém, em outros contextos históricos — como em situações de pouca comida disponível na primavera — foi observado o efeito contrário, ou seja, o crescimento diminuía nessa época do ano. Isso mostra que o efeito das estações do ano no crescimento pode variar bastante dependendo das condições de vida.

O crescimento e a economia: uma curiosidade

Alguns pesquisadores encontraram até uma ligação entre o crescimento da altura das pessoas e ciclos econômicos ao longo da história. Estudando dados de americanos e europeus dos séculos 18 e 19, cientistas notaram que a altura das pessoas parecia seguir certos ciclos relacionados à prosperidade econômica da época — alguns ciclos de 7 a 10 anos, outros de 3 a 5 anos, parecidos com os ciclos que economistas já conhecem bem.

É importante deixar claro: ciclos econômicos, obviamente, não fazem parte da nossa biologia. Mas é interessante ver como dados sobre crescimento humano podem ser úteis também para pesquisadores de outras áreas, mostrando como a ciência funciona melhor quando diferentes especialistas trabalham juntos.